Quanto custa mesmo um trabalhador da construção por hora?
Não é o valor do recibo. Entre TSU, subsídios e seguro, o custo real fica tipicamente 40 a 60% acima do salário "limpo" — e quem orçamenta com o número errado oferece a margem.
As parcelas do custo real
- Salário bruto — o ponto de partida;
- TSU da entidade patronal: 23,75% sobre o bruto (regime geral);
- Subsídios de férias e de Natal — dois salários extra por ano ≈ +16,7% do custo anual;
- Seguro de acidentes de trabalho — obrigatório; na construção o prémio é dos mais altos (tipicamente 1 a 3% do salário, conforme a apólice e a sinistralidade);
- Subsídio de alimentação — valor por dia trabalhado (o montante isento é atualizado pelo Estado; confirma o valor em vigor com o contabilista);
- Fardamento, EPIs, formação e medicina no trabalho.
Exemplo passo a passo
Exemplo (valores redondos para ilustração): salário bruto de 1.000 € × 14 meses = 14.000 €/ano. TSU patronal 23,75% → +3.325 €. Seguro AT (ex.: 2%) → +280 €. Subsídio de alimentação (ex.: 6 €/dia × 220 dias) → +1.320 €. Custo anual ≈ 18.925 €.
Horas úteis reais: 220 dias × 8 h = 1.760 h, menos férias já contadas nos 14 meses; descontando faltas e formação, usa ~1.700 h. Custo/hora ≈ 11,10 € — contra os 5,68 €/h que o "mil euros limpos ÷ 176 h" sugeria. É este o número que entra no orçamento.
E há o segundo erro: usar o custo/hora certo mas as horas erradas — sem registo de ponto por obra, as horas distribuem-se "por sensação". O ponto digital por obra resolve as duas pontas: horas verdadeiras × custo verdadeiro.
Perguntas frequentes
Quanto custa um trabalhador da construção por hora em Portugal?
Depende do salário, mas a regra prática é que o custo real com encargos fica 40 a 60% acima do salário base. Um trabalhador de 1.000 € brutos custa tipicamente na ordem dos 11 €/hora reais — não os 5,70 € que a divisão simples sugere.
A TSU da entidade patronal é sempre 23,75%?
É a taxa do regime geral para a generalidade dos trabalhadores por conta de outrem; existem regimes especiais e incentivos pontuais. Confirma o enquadramento concreto com o teu contabilista.
Como sei quantas horas cada trabalhador esteve em cada obra?
Com registo de ponto associado à obra — em papel exige disciplina heroica; numa app como o RADAR o trabalhador pica no telemóvel, a obra fica registada e o custo real por obra calcula-se sozinho.